sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Comer bem em Orlando é possível


Orlando, Flórida.
Segunda casa dos brasileiros.


Casa do Mickey Mouse. Paraíso das compras. Walmart, Ross, TjMax. McDonalds, Burger King, Wendy's, IHOP, Waffle House, entre outras redes que ficam a um pulo dos parques, com seus preços convidativos e gordura trans.


Tudo parece bom, mas você bem sabe o resultado quando chega em casa: dez quilos a mais e uma carteira vazia.

Por isso o Garfo Viajante fez um ranking de bons lugares para comer, desde o que dá pra pagar com as moedinhas de Quarter, até o Cartão de Crédito Black/Platinum.





1 Obama = Baratinho, baratinho


Chick Fil-A

Fast Food sem culpa (ou menos dor na consciência). Tudo é a base de frango, não vá procurando carne de boi ou de porco, o negócio aqui é peito de frango grelhado ou empanado, suculento e na medida. Os sanduíches são honestos, com salada fresca e molho. A batata frita é em formato waffle, crocante por fora e macia por dentro, uma delícia, e bem viciante. Peça os molhos barbecue e honey mustard para acompanhar. A limonada deles é fresca e deliciosa, fuja dos refrigerantes.

Bom para: famílias, crianças, pessoas de idade, aqueles que gostam de comida light, batata frita freaks.


Rede de Tex-Mex em várias localidades de Orlando, os pratos são imensos e bem gostosos. Quem gosta de comida condimentada vai se decepcionar um pouco, pois o nível de pimenta deles (do que vem da cozinha) é bem pequeno. Por isso, é bom para iniciantes em comida mexicana e para quem não tolera pimenta. Mas, os restaurantes tem um bar de pimentas separadas por níveis, então dá para brincar um pouco com as opções da casa. O mais apimentado rende até uma competição por sobrevivência.

Bom para: grupos, família, crianças, quem quer dar o primeiro passo na comida mexicana, corajosos que experimentam pimenta pura.


O food truck de frango empanado com waffles da Melissa é uma graça. O soul food americano é um tanto familiar com a nossa comida caseira, mas o clássico frango com waffles é realmente inusitado. A massa é levemente doce, o frango macio pelo buttercream, e levemente apimentado, com uma camada de massa frita. Tudo isso coberto por um molho salgado e uma calda doce. Estranho? Muito. Gostoso? Demais.

Bom para: quem gosta de se arriscar, pessoas que comem banana com feijão, quem não tem medo de dor de barriga.


O hamburger da mini rede Five Guys é um ótimo exemplo de como um clássico tem que ser: discos finos e crocantes de carne, suculentos e temperados na medida. E ainda tem a maravilhosa experiência de você mesmo ser o chef, ao escolher o que vem dentro: molhos, cebolas, pimentões, cogumelos, entre outras opções. A batata frita é rústica e o refrigerante é refil. Há quem diga que lembre muito o finado hamburger do Bob's de trinta anos atrás.

Bom para: carnívoros, pessoas que são do bem e gostam de bacon, quem anda sobre a Terra.


O queridinho hipster e grande rede avassaladora de fast food/mexicano diz bem ao que veio. O menu é simples e direto. Você não tem nem como pensar, é como uma continuação mais bad ass do Spoleto. As filas são imensas, ainda bem, já que é ali que você decide o que quer. Ou é um burrito, ou um taco, ou um prato. Cabô. É feijão, arroz, carne, frango, sour cream, guacamole, um em cima do outro, parece até Baile do Scala de Carnaval. Você vai para a sua mesa com um bebê de 1kg de delícias. O burrito parece um caminhão.

Bom para: famintos, quem curte uma pimentinha marota, hora do almoço, pessoas jovens com estômago.





2 Obamas = Paguei e nem suei



Perto dos parques da Disney, a uns 15 minutos de distância, fica esse restaurante cubano que faz lembrar da comida brasileira. Não só pela banana com feijão, mas também pela carne estilo churrasco que a casa oferece. A banana frita é realmente um dos pontos altos, até tira um pouco do espaço da batata frita. Vá e peça um Cubano, um sanduíche clássico, ou uma Vaca Frita.

Bom para: brasileiros, quem gosta de banana com comida, carnívoros.


A rede Olive Garden é imensa, tão multi milionária quanto o Chipotle, mas as duas tem comidas tão fantásticas que justificam o prestígio. Primeiro, o atendimento é ótimo, a salada e o breadstick (grátis) já valem a entrada no restaurante. Segundo, todos os pratos são bem feitos, nem parece um "fast food" de comida italiana. Para completar, as promoções são fantásticas, como cinco pratos por USD19,00. O meu lado glutão sempre chora.

Bom para: todo mundo.


Um restaurante moderninho, meio hipster, com uma carta de drinks bacana e pratos clássicos norte-americanos com uma "pegada" diferente. A decoração e o conceito do restaurante, como uma farmácia antiga, tratando as bebidas como elixires, e o que vem da cozinha como uma "receita médica" é o ponto alto. Os ingredientes são todos locais e orgânicos. Uma refeição de até duas pessoas sai por uns USD40,00, o que é bom diante de todo o hype.

Bom para: hipsters, quem procura uma novidade gastronômica, beberrões, fãs de orgânicos.


Os dois restaurantes dos parques do Harry Potter na Universal são bons por dois motivos: quem é fã (como eu) vai se sentir dentro das histórias, com cenários tão perfeitos. O outro é a comida ser relativamente boa, diante de outras opções do mesmo preço nos parques. Se eu fosse você, escolheria o Leaky Cauldron, dentro do Diagon Alley (a parte nova). O menu tem mais opções, os sanduíches são bons e honestos, e eles foram ainda mais primorosos nesse restaurante. Vá, sente-se e tome um butterbeer frozen. 

Bom para: fãs de Harry Potter, quem quer fugir de corn dogs e pipocas na Universal.


Um dos queridinhos dos brasileiros em Orlando, o Cheesecake Factory realmente é uma boa opção para fazer uma refeição de preço mediano a caro. O menu é farto, as entradas tem uma boa reputação, assim como as pizzas e as massas. Os Tacos Vietnamitas são uma escolha sempre certa, mas o cheesecake (como o nome da casa sugere) é uma obrigação. São muitos sabores, e escolher um sabor pela primeira vez é sempre uma tortura (E USD8,00 por uma fatia também dói o coração #mãodevaca).

Bom para: famílias, crianças, grupos, pessoas que andam sobre a crosta terrestre, gente de bem que gosta de um docinho.





3 Obamas = Paguei com cartão de crédito e chorei com o IOF



Restaurante temático que te leva para a Era de Ouro de Hollywood, com toda a decoração e figurino do final dos anos 20. As muitas fotos de estrelas da época vão te prender, ainda mais se for fã do cinema clássico americano. O menu é bem tradicional, e a salada cobb (ovos, bacon, frango, agrião, abacate, alface e queijo roquefort) é obrigatória. O restaurante fica dentro do Hollywood Studios, e é uma espécie de oásis completamente fora da vibração do parque. 

Bom para: terminar o dia no Hollywood Studios, quem procura um restaurante temático.


Um pouco fora do limites dos parque, esse restaurante/bar é um dos mais elogiados ao norte do centro de Orlando. A cozinha é tipicamente americana, com frutos do mar e carnes. Tudo feito com cara de restaurante em uma casa modificada. Os tomates verdes fritos, o gnocci e o peito de pato são alguns dos pratos mais pedidos. Se estiver na vibe de um restaurante chique, é esse.

Bom para: casais em busca de romance, fãs de gastronomia chique, pessoas com carro


Winter Park fica a uns 15 minutos do centro de Orlando, e é hoje lar de alguns dos restaurantes mais inovadores da cidade. O Ravenous Pig é o que o nome já diz, o Porco Voraz. No caso, você é o Porco, né, mas a chance de se esbaldar nos vários cortes do animal é pouca, já que a casa é um gastropub (leia-se pratos bonitos com pouca comida). Mesmo assim, a qualidade e sabor dos pratos vale a distância e o preço. Se no dia tiver barriga de porco, peça. 

Bom para: casais, pessoas que gostam de porco, casais românticos que gostam de porco, casais com carro.


Mais um restaurante temático do universo Disney, o Boma é uma viagem pela África feita com maestria. O buffet oferece pratos dos 50 países do continente, e é uma oportunidade de não só conhecer os pratos típicos, mas também de encher a barriga. O restaurante, que fica no Animal Kingdom Lodge, é uma boa escolha por oferecer uma comida inusitada, mas não muito indicada para quem só curte hamburger e batata frita. 

Bom para: conhecer pratos africanos, famílias, casais, iniciar um dia no Animal Kingdom.


Esse é pra quem quer estourar o cofrinho, fazer miséria no cartão e esfregar o IOF na cara da sociedade. O Capa fica na cobertura do hotel mais high society de Orlando, e você pode beber drinks e fazer vídeos para quem achava que você estava na pior. O menu é de inspiração espanhola, com tapas, frutos do mar e presuntos crus. Se a ideia é ostentar, peça ostras e coma na sacada olhando para a cidade. Depois faça que nem a Carolina Ferraz na novela porque você merece.

Bom para: gente rica.



PARTICIPAÇÃO ESPECIAL "OBAMA LIKES"



Almôndegas com purê de batata e molhinho da IKEA = USD5,99
(que delícia)


(Com colaboração de Thiago Gusmão, expert nos parques da Disney)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Normas para os Food Trucks no RJ

Na última segunda-feira, dia 5 de Janeiro, a Prefeitura do Rio divulgou as normas para as atividades dos caminhões de comida na cidade.

Dentre as determinações, estão a da itinerância dos food trucks (como o Garfo Viajante já tinha comentado), que não poderão parar em um só local por dias consecutivos e perto de comércio. Como já era esperado, a Prefeitura vai divulgar um edital no próximo mês com os endereços e os valores das diárias. Para poder ter seu negócio na rua, é preciso estar em dia com a documentação (CNPJ, Alvará...) e ter sido pré-aprovado em um projeto.

Ora. Se é necessário passar em um projeto, além de estar em dia com a burocracia, há de se esperar uma certa "seleção" dos caminhões. Veremos a boa e velha "meritocracia" do Rio de Janeiro sendo posta em prática?

Para seu veículo poder circular pela cidade, é preciso estar atento também às normas de tamanho dos carros, a quantidade de mesas e cadeiras, limpeza e descarte de materiais, e também a ter gerador (independente do lugar de estacionamento, a Prefeitura não fornece energia elétrica pública). E principalmente, os cuidados com a vigilância sanitária, já que os alimentos serão vistoriados - desde os que são levados prontos, até os preparados na hora.

Para mais informações, fique ligado no site da Prefeitura, nos setores de Ordem Pública e de Turismo. Aqui tem mais informações sobre as novas normas.

E também o site do Vereador Marcelo Queiroz, Food Truck Carioca. Bem informativo, dá um passo a passo para a legalização, qualificação no Sebrae e no SindRio, e mais dicas da novidade gastronômica sobre rodas.


terça-feira, 18 de novembro de 2014

1˚ Fórum sobre Food Trucks do RJ

No último sábado, dia 15 de novembro, aconteceu o 1o Fórum de Discussão de Food Trucks do Rio de Janeiro. O encontro aconteceu no Planetário da Gávea e reuniu políticos, representantes da SindRio (Sindicato dos Restaurantes), Sebrae, Vigilância Sanitária, e, claro, pessoas que tem interesse em abrir seu próprio negócio.

Uma coisa ficou clara nas três horas de conversa: A Prefeitura do Rio quer os "food trucks" nas ruas para o verão. Como, onde, e o preço disso, ainda não ficou claro.

Mas algo é certo: não será barato.

O Rio de Janeiro se tornou uma cidade profissional. Não é um ambiente para iniciantes. O perfil de grande parte dos possíveis investidores na comida de rua é de pessoas com pouco dinheiro, que acharam uma brecha nos aluguéis insanos da cidade, sem correr o risco de ficar sem as calças.

Só que, como uma cidade que lucra até (e principalmente) com a luz do sol, o modelo de funcionamento da comida de rua ainda é um mistério, mas ainda assim, promi$$or.

1o Fórum de Food Trucks

Vamos primeiro entender a primeira cidade a legalizar o "food truck" no Brasil, São Paulo. O que se entendia como "comida de rua" era similar ao que acontece aqui: era considerado legal as carrocinhas de cachorro quente e vans adaptadas, as licenças eram expedidas só nesses casos. Em novembro de 2013, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou um projeto de lei que regulamentava a venda de comida de rua, abrindo espaço para os Food Trucks. A partir daí, foram estipulados pontos de parada dos carros, juntamente com as subprefeituras e a sociedade civil (leia-se também donos de restaurantes, pessoas que querem os carros de comida distantes de seu negócio). E foram criados estacionamentos particulares, como o Butantã Food Park, o primeiro de muitos, que cobram diárias dos carros.

Só que, pelo modelo exposto no Fórum, o Rio não terá estacionamentos particulares. E sim, só lugares definidos pela Prefeitura, locais distantes de comércio, que não dêem chances de competição com restaurantes e bares estabelecidos. São estes os lugares "discutidos": Mirante do Leblon, Quinta da Boa Vista, Praça Paris, etc.

Parar na praia: Nem pensar.
Vias públicas: Depende.
Praças: Dá pra conversar.

O que os deputados Laura Carneiro e Marcelo Queiroz propuseram em seus papéis na Câmara do Rio foi uma diferenciação entre o food truck, um caminhão profissional de 300 mil reais, e a carrocinha de cachorro quente do Seu Zé de Madureira. A Prefeitura do Rio já quer colocar todo mundo no mesmo balaio, já que todo mundo vende comida de rua.

Feira Planetária

O que foi entendido no Fórum é o seguinte: A legislação do Rio será diferente da de São Paulo, a Prefeitura que vai definir as áreas de estacionamento dos food trucks, e serão feitos rodízios. Um dia um carro estará em um ponto da cidade, no outro dia, outro lugar. Por oito horas diárias, manhã, tarde ou noite.

E tudo isso será definido por licitações. Lembrando que, dependendo do lugar, e do horário, a sua vaga no rodízio será mais ou menos cara. O representante da Prefeitura chegou a expor um exemplo de uma diária de R$500,00. E ainda que, multiplicando pelos dias da semana, chegaria a um aluguel comercial na Zona Sul.

Pense comigo: Você e um restaurante famoso da cidade (que agora vende cachorro quente gourmet) disputam a mesma vaga na futura licitação. O restaurante tem mais fama (pode render mais conversa, fotos nas revistas, divulgação) e mais dinheiro. Quem ganha a disputada diária?

Serão em média 20 vagas por região da cidade. Se tem interesse no assunto, vá lendo o Diário Oficial, as notícias da Secretaria de Ordem Pública (SEOP), e consulte o Sebrae para elaboração de um plano de negócios. Boa sorte!

domingo, 12 de outubro de 2014

Comida de rua e o glamour sobre rodas

Comida de rua é mais do que aquele podrão salvador da madrugada, o bom e velho cachorro quente com salsicha desconhecida, ketchup e mostarda sem validade definida, milho, ervilha e passas (eu gosto). Ou o churrasquinho (que faz miau quando você morde) da esquina, com aquele cheiro sedutor de gordura. Ou o hamburgão do seu Zé. Ou a pipoca cheia de margarina. Ou a coxinha com nervo de frango.

q delicia cara

Enfim. Comida de rua é tudo que é de alguma forma, móvel. A pessoa leva o carrinho de comida para a esquina, e lá ele/ela tem a clientela definida. Todo mundo conhece, todo mundo já comeu.

Pelo menos era o que a gente conhecia como comida de rua até pouco tempo. Como em todos os modelos de comércio, muita gente viu a oportunidade de ganhar dinheiro com algo mais... arrumadinho. O alvo era belo e empreendedor, norte-americano, promissor como a Terra da Liberdade. Daí aportou o novo barato brasileiro: o food truck.

made in usa

Nos Estados Unidos, food trucks são ótimos negócios desde meados dos anos 2000. Em cidades como Nova York, é possível encontrar os caminhões em várias esquinas, desde que você tenha disposição para andar. Mas, querendo encontrar um caminhão específico, todos possuem contas de Twitter, em que você descobre sua localização rapidamente. Existem também aplicativos para celular que usam a sua localização para indicar os food trucks mais próximos.

Mas, voltando à busca da oportunidade de glamourizar a comida sobre rodas, o modelo americano é realmente muito lindo e fofo, só que duas coisas facilitam sua implementação lá: encontrar caminhões usados e, algo que não conhecemos bem, menos burocracia na hora de abrir um negócio.

Mas brasileiro sempre encontra a brecha. Ao invés do caminhão fofo-estilo-ônibus-escolar-amarelo, a boa e velha Kombi aparece como solução.

Kombosa Shake, rodando em SP.

São Paulo foi a primeira cidade brasileira a aceitar os food trucks de braços abertos. Como uma cidade com uma dinâmica gastronômica avançada, nada mais normal do que isso. Já é possível visitar parques de comida, com diversos caminhões fofos, e altamente funcionais.

O grande barato do food truck é: oferecer uma quantidade reduzida de opções de comida por um preço mais baixo do que os restaurantes. Nada mais justo. É um ambiente pequeno, com poucas pessoas, que oferece um alimento diferenciado pra um grupo realmente interessado.

Só que, como tudo no Brasil, principalmente no Rio de Janeiro, as pessoas não conhecem bem o conceito de "preço baixo/produto oferecido", e muitos caminhões ainda oferecem comidas por um preço pouco acessível. Não considero R$20,00 um preço justo por um cachorro quente "gourmet". E isso eu pude conferir de perto em um final de semana de outubro, em uma das poucas (dá nem pra contar nos dedos de uma mão AINDA) feiras direcionadas aos "carros de comida".

A Feira Planetária na Gávea foi a primeira a trazer food trucks pro Rio de Janeiro, sendo que muitos vieram de São Paulo para a primeira edição, em setembro. Alguns caminhões já estão fixos na cidade, mas só podem funcionar em eventos fechados, como essas feiras. Na Barra da Tijuca já teve uma edição do Chef Mix Gourmet com muitos dos carros que vão virar figurinha fácil nas feiras pela cidade.

Feira Planetária de outubro

Feira Planetária de outubro

A expectativa é que até o final do ano mais carros entrem no circuito das feiras. É bom lembrar que existe um projeto de lei para legalizar os food trucks na cidade, que existam pontos fixos para os carros, parques gastronômicos, e maior controle sanitário sobre as comidas.

Como já conhecemos pela tradição carioca, a maioria desses carros de comida devem procurar se estabelecer pela zona sul da cidade, no máximo até a região da Tijuca, Centro, e, se muito, na Barra da Tijuca. Mais uma vez a zona oeste da cidade ficará submetida ao bom e velho podrão (amo/sou).

Vale a pena ressaltar que muitos carros de comida no Rio de Janeiro já são de restaurantes estabelecidos e isso pode criar uma competição desleal, entre novos empreendedores, que é a maioria que se aventura pelo food truck (mais barato do que abrir um restaurante físico/fixo), e restaurantes respeitados buscando um espaço no hype.

Food truck do Venga

Mas isso só o tempo e a recepção dos cariocas dirá. Pelo menos nos últimos eventos as pessoas compareceram em peso, consumiram muito e adoraram a ideia. Isso só prova o quanto o carioca está carente por eventos de gastronomia.

Fica a dica para quem ainda não conseguiu ir a algum dos eventos: fique ligado nas páginas do Facebook do Chef Mix Gourmet e da Feira Planetária, as duas feiras que já aconteceram e que prometem ser mensais.

Para quem é de São Paulo, ou visita a cidade, vale a pena conferir o Butantan Food Park, aberto todos os dias, com muitas opções de comida em caminhões ou barraquinhas. Já existem outros estacionamentos pela cidade, vale a pena pesquisar.

A dica é também literária. Para quem gosta do tema, o livro "Guia Carioca da Gastronomia de Rua" do Sérgio Bloch é maravilhoso, e lista diversos profissionais da boa e velha comida de rua, aquela que a gente conhece muito bem.

Então, se a cara estiver boa: COMA.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

"Mankind is noodlekind"

Falar de ramen é quase entrar em um desenho animado japonês.

Ponyo ≤3

E não deixa de ser, já que esse prato é atualmente uma das bases da alimentação japonesa. É como o nosso arroz com feijão.


Um "Ramenya", restaurante de ramen em Kyoto
Photo by Japan Resor (CC BY-SA)

Mas ao olhar uma sopa com macarrão, é como pensar naquela canja que sua mãe fazia para você quando estava gripado, naqueles dias frios de inverno. Só que o ramen é muito mais do que isso, é ciência.

Primeiro, existem vários tipos de ramen, o macarrão em si. O fio pode ser fino ou grosso, e tem que ser um tipo especial para a sopa. Mesmo sendo feito com os mesmos ingredientes de um macarrão comum, farinha e sal, o ramen é feito com uma água especial, alcalina, que o faz firmar mesmo em um caldo fervente.

Miso ramen

E claro, o caldo. Em cada região japonesa, um tipo de caldo, um tipo diferente de preparo. Em Tokyo, se come o Tsukemen, em que o macarrão vem separado do caldo, que é quente e frio, preparado a base de molho de soja e frango. Em Hokkaido, o caldo é mais rico (pelo frio da região), feito a base de miso, um tempero de soja fermentado, frango e peixe. E em Fukuoka, o Tonkatsu, e o seu caldo é preparado a partir de ossos de porco, assados e cozidos por muitas horas. De todos, é o caldo mais rico e gorduroso.

Tonkatsu ramen

Além do macarrão e do caldo, os acompanhamentos variam de região. O básico dos ramens é o que aparece até mesmo no desenho de cima: pedaços de carne (geralmente barriga de porco), cebolinha e um ovo cozido de gema mole. Dependendo do estilo de ramen, tem as variações: milho doce, broto de bambu, broto de feijão e nori, a alga do sushi.

Tsukemen ramen

Historicamente, o ramen é um prato do início do século 20, que só se comia em ocasiões especiais. Em 1958, Momofuku Ando inventou o processo de fritar o macarrão para acelerar o processo de cozimento, e, além de popularizar, levou o "nissin" (o nome da empresa de Momofuku) para fora do Japão. O nosso bom e salvador miojo nasceu ali.

Momofuku Ando morreu aos 96 anos, com honrarias de estado. Isso prova que miojo é poder, saúde, riqueza e sabedoria. Momofuku, te amamos.

"seu" Momofuku, com um bom miojão nas mãos

Hoje, o ramen é visto pelos amantes da boa comida como um departamento mágico, pela profundidade de sabores em algo essencialmente básico na alimentação. E isso se reflete na imensidão de chefs que partem para o Japão para entender a magia por trás do ramen, e depois retornam para seus países de origem para reinventar o prato, ou tentar servi-lo da forma mais tradicional possível.

E foi isso que eu vi em Nova York. A cultura de ramen na cidade é imensa, e um dos restaurantes mais frequentados é o Hide-chan Ramen, que vende receitas tradicionais, em um ambiente totalmente japonês.

Ramen com caldo claro, base de molho de soja, direto de NY.

Eu, muito brasileira, com a mania de falar mais alto do que o normal, estava escolhendo o meu ramen no cardápio, quando um garçom se aproximou e, falando em português, perguntou se éramos brasileiros. Imagina só, brasileiros em um restaurante japonês em Nova York, conversando com o garçom. Isso que é globalização.

Fora isso, o tonkatsu deles é maravilhoso. Divino. De chorar. Cremoso, rico, com um chashu (a carne de porco) macio, enfim, que experiência. Marcelo foi em uma opção não-tradicional, chamado de Red Dragon e carregado na pimenta.

Red dragon e o tonkatsu lá no fundo <3

Ainda no oriente, na Tailândia também se come muito o tal do "noodle soup", a sopa de macarrão. É muito parecido, realmente. Troca-se o chashu de porco pela carne de pato fatiada, o caldo pesado por um caldo claro de soja e frango, e adicione uns dumplings (uns pastéis cozidos recheados de carne de porco). E claro, o bom e velho macarrão ondulado, o mais parecido com o nosso miojão.

O noodle soup tailandês

No oriente todo se come versões do ramen. Na verdade, tem quem diga que a origem do prato é chinesa, mas o japão se tornou famoso muito pela invenção do macarrão instantâneo, que popularizou e espalhou essa delícia pelo mundo.

Tanto é, que no Brasil você pode encontrar versões bem fiéis do original japonês. E, claro, um lugar que você pode ir é na Liberdade, na capital de São Paulo. Acessível é pouco.

o tonkatsu do Ramen Ya, na Liberdade

A Liberdade sempre foi o paraíso para quem gosta da cultura oriental, e em questão de ramen, não é diferente. O Ramen Ya, restaurante bem pequeno e muito frequentado por japoneses (acho isso fundamental, se eu for a única ocidental em um restaurante, já dou credibilidade) tem um preço muito honesto e porções grandes. O tonkatsu é muito bom, mas falta mais tempero. O ovo veio quase no ponto certo, e o macarrão tinha uma boa textura. No todo, foi uma boa experiência.

Tsukemen do Ramen Ya, na Liberdade

O tsukemen era uma porção estranha, com muito nori em cima. Mas o caldo era saboroso. De novo, falta mais tempero. Pra quem quer ter uma primeira opinião sobre o ramen, recomendo.

Existem outros restaurantes de ramen em São Paulo. Tem o Lamen Kazu e o Aska, na Liberdade. Recomendo os dois por razões óbvias: estão em um bairro frequentado por orientais, então a chance de ser bom é maior.

E pra quem pode ir a Nova York provar o ramen (o melhor da vida, até hoje), vá ao Hide-Chan. E ao Momofuku Noodle Bar, do David Chang.

Chang é um fanático por ramen, e em seu programa Mind of a Chef, foi ao Rokurinsha, no subsolo do metrô de Tokyo. Lá, o tsukemen é religião.

olha a fila pro almoço, e você aí reclamando do self service.
Foto: Gastrolust

Ramen é papo sério.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Rio de Janeiro: Comuna



No bucólico bairro de Botafogo encontra-se uma jóia da arte da carne moída e moldada na forma gloriosa de um hamburger.

A Comuna é um espaço de artes, música, vídeo, gastronomia, e afins, bem hipster, moderninho, com todos os homens barbudos e as moças com um ar de filme francês. É um lugar que você vai curtir se tiver no máximo 35 anos, pois o burburinho e seus corredores cheios o farão querer voltar pra casa e assistir Ru Paul's Drag Race no Netflix (eu, obviamente).

Fora das piadas com os hipsters do Rio de Janeiro, a Comuna tem um pequeno bar em que servem hamburgers geniais. O espaço é pequeno e tem poucas mesas, então, se você gosta de comer sentado, chegue cedo. Aconselho umas 20h, que é quando começa a encher (dia de semana também).



Alguns dos petardos carnívoros que eles oferecem:

Tiger shot - Hamburger de 140g, queijo gouda, alface, rúcula, broto de feijão e molho sweet chilli. R$ 20

Rashomon - Hamburger de 140g, queijo gouda, alface, rúcula e maionese de wasabi. R$20

Trash Humper - Hamburger com bacon de 140g, queijo gouda, maionese de bacon, alface, rúcula e bacon caramelizado. R$ 24


(Desculpem a falta de fotos hoje, mas eu estava ocupada COMENDO)


Eu comi o Tiger Shot, que é ABSURDAMENTE bom. Não se preocupe com o chilli, não vai te matar.  Só não beba cerveja se estiver preocupado com a picância, só vai aumentar a ardência (sei porque eu fiz isso).

A carne é perfeita, no ponto certo, a salada é inusitada com o broto de feijão (nunca tinha visto em um hamburger) e o molho chilli fica entre o doce e o apimentado.

Fica a dica (da primeira de muitas que o Garfo dará sobre o Rio de Janeiro) pra quem está sedento por um bom hamburger. Vá ao Comuna, converse com os hipsters, fique um pouco no bar. E coma!


sexta-feira, 25 de julho de 2014

NYC: We S2 pizza

WE ARE BACK!

Falar de pizza em Nova York é despertar fanatismo nos moradores da cidade. Todo mundo tem a sua preferida. A verdade é que só se come pizza do jeito de NY, em NY.
Falam que é a água da torneira que fez dela algo mítico, o que já foi testado em programas de TV e tudo. Especialistas em pizza negam, dizem que é só historinha.

A comunidade italiana em Nova York é muito forte, o que se prova no número de pizzarias e trattorias pelos cinco cantos da cidade. No Brooklyn, então, passei por umas infinidade de lojas familiares, praticamente uma por rua.

No Harry's Italian, com várias filiais pela cidade, você come a típica pizza retangular ("old fashioned square"), massa não tão fina quanto os novaiorquinos gostam, mas ainda assim melhor do que qualquer pizza no Rio de Janeiro. Massa, molho e queijo deliciosos. Se tiver isso, a cobertura é opcional.




O Ray's Pizza (curiosamente, existem muitos "Ray's Pizza" pela cidade, mas esse é conhecido como "Famous Original", pra você ver a quantidade de pizzarias (e de pessoas chamadas Ray)), fica em um endereço famoso de NYC, bem no coração da Times Square, o que facilita a turistada de comer depois de ficar entrando em lojas e vendo flashing lights #sddsforever21.



Pra quem está de viagem marcada pra NYC e quer comer uma boa pizza (indicações dos novaiorquinos e críticos de comida):

Grimaldi's (pra quem gosta de massa bem fininha)
Lombardi's (a pizzaria mais antiga da cidade, datada de 1905!)
Paulie Gee's (meio hipster, no Brooklyn, casa cheia. Massa fina e crocante)
DiFara (talvez a melhor pizza de pepperoni da cidade)
Artichoke (peça a de a alcachofra)
Roberta's (sempre cheio, barulhento, mas as pizzas valem a espera)

Não posso confirmar se elas são isso tudo, mas se eu fosse você, iria.

E você, tem indicações de outras pizzarias na cidade? Conte pra gente na página do Garfo no Facebook!