segunda-feira, 30 de março de 2015

Rio de Janeiro: Ferro e Farinha


Do Instagram @ferroefarinha

Conheci a Ferro e Farinha quando o seu dono, Sei Shiroma, foi ao Comuna falar sobre comida de rua. Fiquei encantada com a história do seu forno-volante, e imaginei as aventuras de vender pizza sem licenças ou alvarás (coisa impossível no Rio de Janeiro). Na época, há mais de um ano, Sei tinha acabado com seu protótipo de “food truck” pela dificuldade de vender nas ruas da zona sul, sem a documentação necessária. Desde então, esperei pelo surgimento da sua primeira loja, montando em pedaços mentais a pizza que Sei descreveu naquele dia.

Era um desenho ideal, um nova iorquino abrindo uma pizzaria napolitana. Massa fina, poucos ingredientes, quase experimental. Um sonho, se formos pensar no que é comer pizza hoje no Rio de Janeiro: massa pré-fabricada ou produção em massa. A Ferro e Farinha dos meus sonhos era um escape da farofada da cultura de rodízio.

Depois de algum tempo vi que o ponto fixo da Ferro e Farinha tinha nascido em uma rua do Catete. Muito se falou, muitos textos se passaram, e uma moda se criou. 

Hoje, dias depois de ter experimentado a tão sonhada pizza, só tenho uma coisa a pedir dos cariocas.

Não acreditem no hype. 

A Ferro e Farinha tem uma boa pizza? Com certeza. A melhor do Rio.

Ela é para todo mundo? (Ainda) Não.

Como falei, muitos cariocas se acostumaram ao rodízio, ao salão amplo e refrigerado, com refil de refrigerante e oitenta sabores de uma pizza meio chechelenta, mas, ainda assim, honesta. Carioca se viu gostando de estrogonofe e seis queijos em cima de uma massa pré-assada. Tem gente que acha que pizza extravagante é aquela de champignon. E principalmente, comida aqui tem que ser no prato, com garfo e faca.

O ato de comer na Ferro e Farinha é uma experiência. Você tem quatro ou cinco sabores para escolher, o salão é pequeno, o ar condicionado fica em conflito com o forno a lenha em dias mais quentes, não tem refrigerante, não tem champignon, e não tem garfo e faca.

Não tem quatro queijos, mas tem a Picnic, de ricota, gorgonzola e grana padano com mel apimentado. Não tem napolitana, e sim a carro-chefe, Domenico, de mussarela fresca e manjericão. A massa fina é feita a partir do levain (um fermento natural que é como um Tamagotchi, você cria e cuida dele diariamente), e as combinações despertam o melhor dos ingredientes. 

Além de toda a qualidade gastronômica, a Ferro e Farinha tem, principalmente, comprometimento. E isso, em uma cidade já dominada por grandes redes, é cada vez mais raro.  Ainda que uma minoria não tenha entendido a proposta, tomara que mais pessoas descubram a mais nova pizzaria da cidade. E que todas saibam respeitar e reverenciar o que é feito por aquele pequeno time. Afinal, todo mundo merece uma boa pizza cheia de amor.


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